A Santiagobikes é a loja oficial Susanagateira® na Figueira da Foz.

 

Apresentação da Estilista.

“Foi entre tecidos, máquinas de costura, linhas e tesouras que Susana Gateira nasceu e cresceu em Ílhavo, no distrito de Aveiro. Ao lado da mãe Bernardete, então costureira, absorveu a arte de confecionar roupa e sonhou um dia fazer o mesmo. A estilista é hoje uma das maiores referências da moda desportiva em Portugal.”

In, http://www.ojogo.pt/

“Reportagem de Sofia Ramos Silva

O novo catálogo da estação outono/inverno by Susana Gateira é mais um exemplo da internacionalização da marca portuguesa que, de há uns anos a esta parte, está a ganhar terreno no mercado dos equipamentos desportivos, sobretudo na área do fitness. Com o slogan “challenge yourself” [desafiate a ti próprio, numa tradução livre], a coleção é apresentada em seis idiomas: português, inglês, espanhol, francês, italiano e japonês, precisamente os mercados em que está instalada e gera negócio. As vendas online reforçam igualmente esse objetivo de “conquistar o mundo”, como refere a criadora, e o “resto fica por conta da qualidade e do cunho moda” impresso às criações que têm em Cláudia Vieira uma embaixadora de luxo.

Mas quem é, afinal, Susana Gateira, a estilista e a marca que desfila, sobretudo, nos muitos ginásios portugueses? “Somos uma marca de roupa desportiva e o nosso principal lema é fazer roupa de qualidade “fashion”. Conceber equipamentos desportivos modernos, alinhavados de acordo com as tendências atuais, cor e corte”, define a estilista, sublinhando, para tal, “nunca descurar a parte técnica das modalidades a que se destinam, pois cada uma tem a sua especificidade”. “Além disso, existe uma grande preocupação em escolher malhas resistentes e com longa durabilidade, porque são sujeitas a grande desgaste com a prática de exercício físico e as lavagens. Só depois entra em equação um “design” mais arrojado, mais moda que é o que diferencia a marca Susana Gateira das restantes”, explica a sócia-gerente da empresa – a par do irmão Rui Gateira – que emprega cerca de 35 funcionários e, em 2013, gerou um volume de negócio na ordem dos 1,4 milhões de euros.»

Explicado, em traços gerais, o conceito desta marca de roupa desportiva “made in Ílhavo”, que tanto furor faz entre os atletas amadores – cada vez mais preocupados em vestir-se bem e impressionar com indumentária e calçado altamente “fashion” – eis a história de como tudo começou.

INSPIRADA PELA MÃE BERNARDETE

Susana Gateira é filha de Bernardete, costureira já reformada. Uma costureira como, aliás, tantas outras, muitas delas inclusivamente suas tias. A infância foi, por isso, passada em torno de tecidos, cortes, moldes e ao ritmo da máquina de costura. Um meio e ofício que, a brincar, aprendeu a conhecer por dentro, não que tivesse sido impulsionada pela mãe, mas por uma curiosidade e teimosia própria. “A minha mãe não me ensinou a costurar, dizia-me para fazer. E eu, aos 12 anos, consegui fazer a minha primeira peça de roupa, umas calças”, recorda a criadora, hoje com 46 anos.

Das primeiras calças surgiram muitas outras peças até ao dia, tinha então 17 anos, em que decidiu fazer um curso técnico-profissional, no Porto, “para adquirir noções teóricas relativamente a cores, materiais, desenho, equilíbrios…”. “De costura sabia eu, faltava-me toda a restante bagagem. Feita a formação, lancei-me por conta própria”, recorda a criadora que, inicialmente, não contou com o apoio dos pais. “Eles achavam que seria mais uma costureira na família e a minha mãe sabia o quão desgastante e dura é esta profissão. Ela alertava-me para as muitas horas de trabalho, a total dedicação e quanto é difícil levar um projeto destes a bom porto. No fundo, só queria o melhor para os filhos”, acrescenta Susana Gateira, com tom de voz emocionado e olhos marejados, de quem foi um pouco mais persistente e hoje acredita encher Dona Bernardete de orgulho.

DESPORTO É MAIS VIDA E MAIOR LIBERDADE

Após algumas experiências de corte e costura no segmento do pronto a vestir e mais tarde em “lingerie” – experiências, essas, bem sucedidas -, a Susana juntou-se o irmão Rui para, juntos, absorverem a confeção da mãe modelista e iniciar, em 1997, a empresa de equipamentos desportivos. “Achámos que havia qualidade e podíamos crescer. Inicialmente, contámos com o contributo e acompanhamento da minha mãe, uma excelente profissional, e depois a ficámos por conta própria. Tem sido um longo e trabalhoso percurso, mas não estou arrependida.”

Mas porquê aplicar moda em equipamentos desportivos e não em roupa dita normal como tantos outros estilistas? “A moda normal não me permite brincar tanto. A alta costura, apesar de fabulosa, é para uma minoria, o pronto a vestir é um pouco mais do mesmo. No desporto, encontrei um nicho de mercado em que posso brincar com as formas, as cores e a conjugações, que seriam difíceis de aplicar, por exemplo, no pronto a vestir. O desporto é mais alegria, mais vida, maior liberdade e isso aplica-se aos equipamentos. Existe uma maior sensualidade nas roupas e é um enorme desafio, porque o corpo fica exposto e é necessário um cuidado adicional para não ser vulgar”, justifica a fã do trabalho do estilista português Miguel Vieira, do “controverso”, como descreve, John Galliano e do já reformado Valentino.

Cimentada a sua posição na vertente do fitness, praticada tanto em ginásios como ao ar livre, e em que a marca Susana Gateira quase rivaliza de igual para igual com grandes colossos mundiais de equipamentos desportivos, a estilista de Ílhavo já está centrada em alargar horizontes e enfrentar novos desafios. “Estamos a equacionar uma linha de “running” e também quero pegar numa coleção de criança. Mas, para isso, preciso de ter alguém a trabalhar comigo, porque é complicado desenhar tanta roupa em tão pouco tempo”, explica, referindo-se às coleções intercalares lançadas nos “intervalos” das linhas outono/inverno e primavera/ verão. “Alargar a outras modalidades? Não tenho previsto, muito embora várias das nossas peças sejam adaptáveis a outras modalidades, numa vertente de treino. Para alta competição é necessário outra exigência e diferentes especificidades até dos materiais utilizados. Mas não pensamos enveredar por aí, porque também são atividades mais limitadas em termos de criação”, conclui Susana Gateira.

“CRIAÇÕES QUE ME SAEM DA ALMA”

Susana Gateira só tem um filho, Bernardo, de seis anos, mas todos os anos dá à luz vários rebentos, pelo menos a julgar pelas suas próprias convicções. “É uma paixão aquilo que faço! Desde o desenho, à modelação, preparação do corte, confeção e até a stressante fase de cumprir os prazos. Eu própria sei fazer, acompanho tudo e só assim é possível ensinar. Acontece que, uma vez concluída a produção, fica um certo vazio. É como se fossem meus filhos, são criações que me saem da alma”, descreve. Vale a Susana Gateira, segundo conta, os muitos desafios e coleções intercalares que vão surgindo para dinamizar a variedade do produto e o seu dia a dia passado numa casa antiga, sediada em Ílhavo, onde instalou a fábrica e os escritórios da empresa, detentora de oito lojas em todo o país e com perspetivas de expandir-se para novos pontos de venda no estrangeiro.

“CLÁUDIA VIEIRA DÁ VIVACIDADE ÀS NOSSAS ROUPAS”

Cláudia Vieira é a grande embaixadora – a par de Alexandre da Silva, ator e detentor de uma pequena percentagem na sociedade da empresa – dos equipamentos desportivos Susana Gateira. “Além da grande amizade que nos une, a Cláudia gosta e pratica desporto, o que é bem percetível pelo seu corpo. Tem uma vivacidade fantástica, dá alegria, gosta das nossas roupas e é uma cara muito conhecida no nosso país. A Cláudia Vieira está muito bem para a Susana Gateira, como a Susana Gateira está para a moda”, resume a estilista de Ílhavo, desmistificando a ideia de que as suas roupas são apenas para corpos esculturais. “Os equipamentos não são feitos à medida da Cláudia Vieira, todos podem vestir Susana Gateira, cada pessoa com o respetivo número e com as combinações de peças que mais se adequem ao seu corpo.” Além da atriz e apresentadora, a empresa recorreu ainda à imagem da também atriz Dânia Neto e à atleta Sara Pinho, do Benfica, para promover num recinto desportivo a mais recente coleção outono/inverno.

MARCA PREMIADA INTERNACIONALMENTE

“Achava, e continuo a achar, que a roupa desportiva não é bonita e é antiquada.” Estas são palavras da criadora e é o mote para as suas criações. “Nós temos um produto muito pormenorizado, minucioso, é quase roupa de alta costura para fitness, e só o conseguimos fazer porque temos uma excelente equipa e não produzimos em grande escala, como acontece com uma Nike ou Reebok, por exemplo, que têm nome e “know how”. Em todas as coleções lanço sempre coisas diferentes, uma linha mais luxuosa, por exemplo, e esse é mais um pormenor que diferencia a Susana Gateira de outras marcas. Não conheço outra marca com a nossa qualidade e quantidade”, assegura a mentora do projeto premiado na Alemanha, em 2010, durante o ISPO Brand New Awards, o maior evento europeu da área do desporto, pelo seu conceito único e inovador na área do fitness.

(Reportagem publicada na revista J a 12 de outubro de 2014)”

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